Latência, o que é e qual a sua importância com a chegado do 5G

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Embora a implementação efetiva do 5G no Brasil leve algum tempo, a possibilidade de acesso a conexões entre 1 e 10 Gbps — cada Gigabit/s corresponde a 125 Megabytes/s — anima até mesmo os mais contidos brasileiros. Mas além das altas velocidades, é preciso atentar-se a outra medição para explorar a total funcionalidade da rede móvel de quinta geração no mercado: a latência.

É ela, inclusive, quem vai possibilitar a funcionalidade completa do 5G em sistemas e operações que exigem respostas de comando em tempo real, como um movimento instantâneo de um sistema de direção automática ou movimentos sincronizados ao utilizar um óculos de realidade aumentada, por exemplo.

O que é latência?

Também conhecida como ping, a latência nada mais é do que o tempo gasto (medido em milissegundos, ou ms) para seu dispositivo obter uma resposta da torre de celular ou do link de rádio da conexão, e isso envolve o envio de mensagens, dados e outros comandos.

Quem tem costume de jogar games online está mais habituado com a latência. De nada adianta possuir uma banda larga de alta velocidade se a latência também for alta. Isso provocará atrasos nos comandos (“lags”): se for em um jogo de tiro, por exemplo, o disparo pode sair atrasado após o acionamento do botão, caso o ping esteja acima dos 50/ms.

Aliás, é possível verificar a latência de uma conexão ao fazer um teste rápido de banda larga ou rede móvel. Basta atentar-se ao número que, geralmente, é relacionado ao ping.

Quais são os benefícios do ping baixo?

Com a chegada do 5G, uma conexão de baixa latência vai permitir inúmeras possibilidades, que vão bem além de um tempo de resposta menor em um jogo online. E isso inclui benefícios para a telemedicina, fones de ouvidos, óculos de realidade aumentada, comunicações entre carros autônomos, serviços de inteligência artificial e nuvem, entre outros.

Basicamente, a latência baixa vai se adequar ao rápido tempo de resposta humano, à medida que tecnologias e sistemas integram cada vez mais os homem às máquinas.

O ping baixo de uma rede 5G vai facilitar as supervisões automatizadas na indústria, vai impedir que atrasos de movimento em óculos de realidade aumentada causem dores de cabeça aos indivíduos, vai certificar de que o drone irrigue um plantio durante o tempo exato necessário, vai evitar “engasgos” durante uma jogatina e permitir diversas outras possibilidades.

Até simples navegações na internet devem se beneficiar disso, já que muitos sites são compostos de recursos obtidos por diversos servidores.

O quanto vai mudar com o 5G?

Atualmente, redes móveis de terceira geração operam com latências acima de 100 ms. As redes 4G, por sua vez, podem variar o ping entre 30 ms e 70 ms — dependendo da região, o tempo de resposta pode ser ainda mais baixo.

No entanto, além de atuar com velocidades altas de conexão, o 5G promete latências entre 5ms e 20 ms, que permitirão tempos de resposta mínimos entre as redes e os dispositivos.

A boa notícia é que com as melhorias do 5G, esse tempo poderá ser reduzido para 1 ms — para efeitos comparativos, o piscar dos olhos demora, em média, 100 ms. Mas isso deverá ser alcançado apenas no longo prazo.

“Eu diria que 10 anos, se tivermos sorte, para 1 milissegundo [de latência] com o 5G”, disse à CNET, Mike Eddy, vice-presidente de Desenvolvimento Corporativo da empresa de tecnologia de rádio Resonant.

Por que vai demorar tanto?

Para alcançar o tão sonhado ping de 1 ms os países terão que realizar diversas atualizações, que incluem conexões da torre de celular com a rede principal de uma operadora, a conexão dessa rede com a internet, bem como o link de rádio entre os dispositivos 5G e a torre móvel local.

Isso porque a maioria das atuais torres presentes no mundo todo utilizam uma tecnologia chamada de “rede não autônoma” (NSA, na sigla em inglês), que consiste em um modelo híbrido de 4G e 5G. Isso significa a necessidade de atualizações para a tecnologia 5G autônoma (Standalone).

Mas, isso, naturalmente, vai demandar muito dinheiro. Só nos Estados Unidos, a GlobalData prevê o gasto de US$ 69 bilhões este ano para essas atualizações. No Brasil, isso pode estar ainda mais distante, já que o leilão para a rede móvel de quinta geração no país ainda nem ocorreu.

Felizmente, serviços como Amazon Web Services (AWS), Google Cloud e Microsoft Azure buscam adiantar o processo ao investirem em data centers com comunicações mais rápidas. A tecnologia 5G autônoma foi padronizada em 2019, com a versão 15 do 3GPP., mas a ideia é que o trabalho em conjunto das gigantes possibilite a versão 17 até o ano que vem.

 

Fonte: Olhar Digital


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